quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A admiração de veteranas da WNBA por Damiris Dantas


*O WNBA Brasil teve a incrível oportunidade de adentrar um dos treinos da seleção norte-americana de basquete feminino em preparação para as Olimpíadas Rio 2016, na Sede do Clube de Regatas do Flamengo, localizada na Gávea, bairro nobre do Rio de Janeiro (RJ). Trazemos para vocês a primeira parte do conteúdo exclusivo que pudemos apurar com os grandes nomes da modalidade. A pauta de hoje é a jovem brasileira Damiris Dantas sob o olhar de Cheryl Reeves, que foi sua técnica no Minnesota Lynx, e Lindsay Whalen, companheira de equipe na mesma franquia. Tenha uma boa leitura!

O basquete feminino brasileiro tem passado por maus bocados nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Em três partidas, o elenco comandado pelo técnico Antonio Carlos Barbosa ainda não conheceu a vitória e tem no confronto desta quarta-feira (11), contra a França, o que pode ser sua última chance de sobrevivência no torneio. Ainda assim, há o que se tirar de positivo dessa campanha. Damiris Dantas (23), uma das jogadoras mais jovens do selecionado nacional, é um dos destaques não só do Brasil, mas de todo o campeonato.

A ala é a segunda cestinha do time verde-amarelo e tem a oitava melhor média de pontos por partida entre todas as atletas. São aproximadamente 17 tentos a cada jogo (51 em três confrontos), figurando acima de nomes como Breanna Stewart (EUA – 17ª posição, com 13,7), Kia Nurse (CAN – 13ª posição, com 14,7) e suas antigas companheiras de clube, Clarissa dos Santos (BRA – 19ª posição, com 12,7) e Maya Moore (EUA – 42ª posição, com 9). Como se não bastasse, Damiris também é a segunda reboteira brasileira e a sexta no geral, com média de 7,7 bolas recuperadas do aro por duelo (23 em três confrontos).

Vale destacar que essa atuação de gala da jovem atleta é feita em um momento de fortes transições tanto em sua carreira quanto em sua vida profissional. A começar pela troca de posição em quadra, Dantas, que foi treinada como pivô (5) desde as categorias de base, foi transformada, aos poucos, em ala/pivô no Minnesota Lynx e bruscamente em ala (3) na seleção brasileira. Todo esse processo em no máximo dois anos e meio. Existe também o fato de que Damiris, que joga pelo Corinthians/Americana na Liga de Basquete Feminino (LBF) volta de uma lesão que a deixou de fora de metade do torneio nacional.

Na WNBA, foi transferida do Minnesota Lynx para o Atlanta Dream logo após o All-Star Game de 2015, e logo no começo de 2016 tomou a difícil decisão de abrir mão de sua temporada com a franquia do estado da Geórgia para cuidar de seu tio, que se encontra enfermo, e treinar com a seleção brasileira para as Olimpíadas.

Parece muita pressão sobre os ombros de uma garota de 23 anos, não é mesmo?

Em conversa com Cheryl Reeves, técnica do Minnesota Lynx, e Lindsay Whalen, armadora do mesmo time, o WNBA Brasil pôde constatar que não é só em brasileiros que a jovem ala deixa uma ótima impressão.

“Eu amava ser técnica da Damiris. Ela é uma ótima jogadora e muito inteligente. Se encaixava perfeitamente no nosso time”, afirmou a tri campeã do campeonato norte-americano, que ainda disse sentir falta da brasileira em seu plantel e estar ansiosa para encontra-la durante as Olimpíadas.

“Eu sinto muita falta dela, mas aproveitamos muito o tempo que esteve com o Lynx. E eu não vejo a hora de encontra-la aqui, no Brasil”, finalizou a comandante veterana.

Outro grande nome que demonstrou admiração com as habilidades do tesouro nacional foi a armadora Lindsay Whalen, com vasta experiência na WNBA e com a seleção de basquete feminino dos Estados Unidos. Para a americana, o futuro de Damiris é nada menos do que brilhante.

“Ela é incrível. Uma ótima pessoa e jogadora. Adorei ser sua companheira de equipe por uma temporada e meia. Realmente espero que tenha muito sucesso no futuro. Sei que ela terá, porque é uma excelente jovem jogadora e será uma grande profissional. É dedicada e tem um coração enorme”, elogiou Whalen.


O público brasileiro conhece Damiris Dantas de longa data. A ala, que na época ainda atuava como pivô, foi MVP do Mundial Sub19 de 2011, quando conquistamos o bronze, um pódio depois de anos sem subir em um dos três lugares mais altos de uma competição internacional. Agora, o mundo passa a conhecer o potencial dessa jovem atleta que, além de ser uma máquina em quadra, tem um coração de ouro.

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